CHOROU
A tarde muito triste, chorou, chorou...
Assim, perfume da terra desprendia.
Mas, de triste nem notou, não aspirou.
Enclausurada, aflita, apenas sofria.
E por estar desse jeito, tão chorosa,
ficou num torpor hipnótico, amuada.
Essa tarde que sempre foi toda prosa,
simplesmente já não queria mais nada.
Num último suspiro, ela soluçou,
com o braço esticado, tocou a noite.
E então, a noite também chorou, clamou...
A dor como sentia era mais que açoite!
Mas, quando a última lágrima rolou,
ficou só um vazio e tudo se acabou.
Tânia Regina Voigt

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